Newsletter BVB #22 | Recuperação Judicial: Quando a Crise Começa Anos Antes do Pedido
Existe uma percepção equivocada sobre recuperação judicial no Brasil. Muita gente acredita que o pedido de RJ é o momento em que a empresa quebra. Mas, na maioria absoluta dos casos, a crise começou muito antes. Bem antes do empresário perceber, dos credores cobrarem e do mercado especular. A recuperação judicial não é o início do problema. É o final visível de um processo que vinha se desenhando há anos. 💡 Para entender A recuperação judicial é um instrumento previsto na Lei 11.101/2005 que permite à empresa em dificuldade reorganizar suas dívidas, suspender execuções por um período e tentar continuar operando enquanto renegocia com credores. O objetivo da lei é preservar a atividade produtiva, os empregos e a função social do negócio. Ou seja, RJ não é, necessariamente, o fim de uma empresa. Mas é sempre um sinal claro de que a gestão chegou a um nível crítico. E o tema vem ganhando relevância acelerada no Brasil. ⚙️ O retrato de 2025 Em 2025, o país bateu recorde histórico de empresas em recuperação judicial. Segundo o Monitor RGF, cerca de 5,6 mil companhias terminaram o ano em processo de reestruturação, uma alta de 24,3% em relação a 2024. Foram 1,6 mil novos pedidos protocolados ao longo do ano, crescimento de 35,2% sobre o ano anterior. E enquanto 1,6 mil empresas entravam, apenas 561 conseguiam sair do processo. A foto é ainda mais reveladora quando se olha o trimestre final. Apenas no último trimestre de 2025, 510 empresas pediram recuperação judicial, recorde trimestral da série histórica. As dívidas declaradas por essas 510 companhias somaram 40 bilhões de reais, mais do que o dobro do trimestre anterior. Por trás dos números, três fatores macroeconômicos pressionam o cenário: Selic em 15%, a mais alta em 19 anos; crédito restrito e seletivo; e inflação que corrói margem e poder de compra. Mas esses fatores explicam o gatilho, não a causa raiz. ⚖️ O ponto que pouca gente discute A taxa de sucesso da recuperação judicial no Brasil é baixa. Estudos apontam que apenas cerca de 23% das empresas concluem o processo com êxito. A maioria não consegue sair da RJ e acaba migrando para a falência. E o motivo é estrutural. Especialistas em direito empresarial apontam um padrão claro: as empresas que chegam à recuperação judicial geralmente compartilham um perfil. Alto grau de endividamento. Baixa margem operacional. Forte dependência de capital de giro. Ausência de planejamento financeiro. Desorganização contábil. Pagamento seletivo de credores sem estratégia. Acúmulo de passivos tributários. Retirada excessiva de recursos pelos sócios. Mistura entre patrimônio pessoal e empresarial. Nenhum desses pontos surge de uma hora para outra. Todos são consequência de decisões tomadas anos antes do pedido. A crise, quando chega, apenas torna visível o que já estava acontecendo internamente. 🏗️ Para finalizar Muitas empresas crescem olhando apenas para o faturamento e esquecem de construir sustentabilidade financeira. Vendem muito, mas não geram caixa. Crescem rápido, mas sem previsibilidade. Operam no limite o tempo inteiro e acreditam que isso é normal. Não é. É exposição. Empresas saudáveis precisam de quatro pilares simultâneos: gestão financeira ativa, controle operacional, planejamento estratégico e capacidade de adaptação. Quando um deles falha, a empresa ainda funciona. Quando dois falham, o caixa começa a apertar. Quando três falham, a recuperação judicial deixa de ser hipótese e vira possibilidade real. Recuperação judicial raramente acontece por causa de um único problema. Normalmente é o acúmulo de decisões desorganizadas ao longo do tempo, encontrando um ambiente macroeconômico hostil. A crise externa é só o empurrão. A queda já estava sendo preparada. Quem entende isso para de tratar a RJ como um evento isolado e começa a olhar a saúde da empresa com a antecedência que ela merece. Até a próxima, BVB Estratégia Jurídica Planejar · Proteger · Estruturar
Newsletter BVB #21 | Erros Silenciosos Que Fazem Sua Empresa Perder Dinheiro
Existem erros que não parecem graves no começo. Não derrubam a empresa de uma vez, não aparecem como crise, não geram alerta imediato. Eles fazem algo mais perigoso: vão desgastando o negócio aos poucos, até o prejuízo virar rotina e ninguém mais perceber. Esses erros têm um padrão. Quase sempre estão ligados a três pontos: decisão, dinheiro e processo. Quando os três falham juntos, a empresa funciona, mas perde dinheiro todos os meses sem entender exatamente onde. 💡 Para entender A maioria dos empresários acredita que o problema do negócio é externo. Mercado difícil, cliente que sumiu, fornecedor que aumentou preço, concorrente que apertou margem. E claro, esses fatores existem. Mas em uma quantidade enorme de casos, o problema está dentro de casa. Em três erros que parecem pequenos individualmente, mas que combinados criam uma operação que sangra dinheiro sem fazer barulho. ⚙️ Erro nº 1: tomar decisão no achismo Muita empresa decide na base da sensação. O dono acha que o produto X vende mais que o Y. Acha que a margem do serviço A é boa. Acha que aquele cliente é o mais lucrativo. Acha. Não sabe. Sem indicadores, sem análise de margem, sem leitura real dos números, o empresário acaba apagando incêndio o tempo todo. Cada decisão vira aposta, cada aposta gera consequência, cada consequência gera outro incêndio. E o ciclo se mantém. A diferença entre uma empresa que decide com clareza e uma que decide no escuro não aparece no faturamento. Aparece na margem. Empresas que medem, ajustam. Empresas que adivinham, repetem o mesmo erro em escalas diferentes. ⚙️ Erro nº 2: misturar o financeiro pessoal com o empresarial Esse é, talvez, o erro mais comum e mais subestimado do empresário brasileiro. Uma pesquisa recente do Sebrae mostra que 61% dos pequenos empreendedores ainda usam a conta pessoal para pagar despesas da empresa. Em 2023, eram 60%. Em 2025, o número subiu. Apesar do acesso ampliado a soluções financeiras específicas para empresas, a informalidade no controle continua sendo a regra, não a exceção. E o impacto é profundo. Quando a conta da empresa se mistura com a do dono, três coisas deixam de existir: a noção real de lucro, a noção real de capital de giro e a noção real de retirada. O empresário olha o saldo e não sabe o que é dele, o que é da empresa, o que é caixa operacional e o que é resultado. Sem essa separação, qualquer decisão de investimento, contratação ou expansão é feita às cegas. E o pior é que, na maioria dos casos, o negócio parece estar indo bem. O caixa está movimentando, as vendas estão acontecendo, o saldo positivo. Mas o lucro real, aquele que poderia ser reinvestido ou distribuído com tranquilidade, simplesmente não está sendo medido. ⚙️ Erro nº 3: a falta de processo Quando tudo vive na cabeça das pessoas, a empresa se torna refém delas. Esse é um problema duplo. De um lado, a operação depende do dono, que vira gargalo de todas as decisões. De outro, a operação depende do time, e qualquer saída, férias ou afastamento desorganiza tudo. E no meio dessa dependência aparece o que nenhuma planilha mostra: retrabalho, ruído de comunicação, prazo perdido, cliente atendido de forma inconsistente, fornecedor pago duas vezes ou nenhuma. Estudos sobre produtividade no Brasil são repetitivos nesse ponto: na maioria dos casos, o problema não está nas pessoas, mas na ausência de processos bem definidos. Quando cada colaborador executa do seu jeito, o erro deixa de ser exceção e vira rotina. E retrabalho, no fim, é prejuízo disfarçado de operação normal. ⚖️ O ponto que muita gente confunde Esses três erros raramente quebram uma empresa de uma só vez. Eles fazem algo pior: drenam o negócio em silêncio, mês após mês, até o empresário se acostumar com margens menores, com cansaço maior e com a sensação permanente de que está correndo sem sair do lugar. Profissionalismo empresarial não é luxo nem sofisticação. É a soma de três decisões simples: medir antes de decidir, separar antes de gastar e documentar antes de delegar. Quando esses três pilares funcionam, o negócio para de sangrar. Quando falham, nenhum aumento de faturamento resolve o problema. 🏗️ Para finalizar A pergunta que vale a pena fazer não é “minha empresa está crescendo?”. É “minha empresa está crescendo de forma saudável, ou está apenas faturando mais para sustentar os mesmos erros em escala maior?”. A diferença entre as duas situações nunca aparece no extrato bancário. Aparece na clareza com que o empresário responde três perguntas simples. Você sabe exatamente qual produto ou serviço gera mais margem? Você sabe o quanto retira da empresa por mês, separadamente do que é lucro? Você consegue tirar uma semana de folga sem que a operação trave? Quem responde com segurança já está construindo um negócio sustentável. Quem hesita, descobre cedo ou tarde que prejuízo silencioso, no longo prazo, custa mais caro que qualquer crise barulhenta. Até a próxima, BVB Estratégia Jurídica Planejar · Proteger · Estruturar
Newsletter BVB #12 | Guia Prático de Estruturação e Prevenção jurídica
A maioria dos empresários passa boa parte do tempo preocupada com o crescimento da empresa, mas pouca gente percebe que o maior risco não vem de fora, e sim do que está acontecendo dentro da própria estrutura. O problema raramente é o mercado. O que trava o crescimento é crescer no improviso, sem método, sem rotina e sem uma base jurídica organizada.Quando isso acontece, o jurídico deixa de ser prevenção e se torna apenas reparo. 💡 Para entender O empreendedor brasileiro domina a arte de fazer.Sabe vender, liderar, inovar e resistir.Mas poucos aprendem o segundo passo: proteger o que construíram. E é nesse ponto que começam as falhas que, mais cedo ou mais tarde, se transformam em riscos jurídicos.Esses riscos nascem de pequenos erros de gestão. Simples de corrigir, mas caros de ignorar. ⚙️ Os 4 erros que geram dor (e como evitá-los) 1. Tratar dados de clientes sem controlePlanilhas abertas, acessos sem limite e falta de política de privacidade são convites para um problema com a LGPD.Um único vazamento pode comprometer a reputação da empresa e gerar multas pesadas.A solução está em implantar governança de dados, saber quem acessa, para quê e com qual autorização. 2. Contratar pessoas ou prestadores sem formalização adequadaAquela frase “depois a gente faz o contrato” costuma sair cara.Sem cláusulas sobre prazos, entregas e propriedade intelectual, um parceiro pode virar uma dor trabalhista.Contrato formal é o que separa parceria de passivo. 3. Manter contratos antigos sem revisãoA empresa evolui, mas os documentos continuam atrasados.Quando o problema surge, a cláusula que poderia proteger já perdeu validade.A revisão contratual é o check-up silencioso da segurança jurídica. 4. Depender apenas do contador para obrigações legaisO contador é essencial para o fiscal, mas não substitui o jurídico.Alterações societárias, notificações e aditivos exigem uma estrutura jurídica que pense o negócio estrategicamente.Deixar isso nas mãos do contador é transferir o risco direto para o dono. ⚖️ O ponto comum Esses erros têm a mesma origem: a ausência de método e integração.Empresas sem estrutura crescem rápido, mas com rachaduras invisíveis.Jurídico, financeiro e operação precisam trabalhar em sintonia para criar fôlego de longo prazo. Na BVB Estratégia Jurídica, chamamos isso de Arquitetura Jurídica, um modelo que conecta o jurídico à estratégia empresarial e transforma prevenção em vantagem competitiva. 🏗️ Para finalizar Evitar problemas jurídicos não é sobre advogar melhor, é sobre gerir com inteligência.Negócios que entendem isso crescem com leveza, sem surpresas e com decisões mais seguras. O futuro pertence às empresas que olham para a estrutura com o mesmo cuidado que olham para a expansão.Crescimento é resultado. Estrutura é o que o mantém de pé. BVB Estratégia JurídicaPlanejar • Proteger • Estruturar
Newsletter BVB #7 | Como Ter O Sócio Certo
Começar o ano revisando a estrutura do negócio não é sobre burocracia; é sobre o tipo de parceria que sustenta o futuro.Muita sociedade começa inspirada, mas poucas sobrevivem à realidade.O segredo para crescer com estabilidade está menos no contrato e mais nas pessoas que você escolhe para construir ao seu lado. Para entender 💡 1. Alinhamento vem antes do contratoAntes de qualquer assinatura, é preciso entender se há sintonia.Vocês enxergam o negócio com os mesmos olhos?Concordam sobre o propósito, o ritmo e o que “sucesso” significa?Toda diferença ignorada hoje vira conflito amanhã. Nenhum jurídico consegue consertar desalinhamento de visão. 2. O papel do jurídico na sociedadeQuando os valores estão claros, o jurídico entra para dar forma e segurança.Um bom acordo societário é a tradução jurídica do que já existe na conversa:como cada sócio entra, quando sai, quem decide sobre o quê e como o lucro é reinvestido.Clareza não afasta pessoas. Clareza mantém relações inteiras. 3. A relação entre confiança e métodoO jurídico não substitui a confiança, ele a protege.Empresas fortes criam acordos justos e transparentes porque sabem que prever é mais inteligente do que corrigir. O ponto comum ⚙️ Toda sociedade sólida nasce de três pilares:visão compartilhada, valores parecidos e estrutura clara.Quando o jurídico atua junto desde o início, ele não engessa a relação — ele garante que o combinado dure mais que o entusiasmo.Essa é a base de uma Arquitetura Jurídica madura: segurança com leveza, estrutura com liberdade. Para aplicar ✅ Guia Prático de Alinhamento de Sócios BVB Para finalizar 💼 Ter os sócios certos é investir em continuidade.O contrato serve para registrar o que a confiança já construiu.Em 2026, escolha parcerias que compartilham visão e caminham com estrutura.A BVB está aqui para traduzir essa visão em segurança duradoura. Até a próxima semana,Victor Vicente